Eliane se formou em administração de empresas, desistiu da economia no quinto período, trabalhou quinze anos na Souza Cruz e hoje é uma convertida satisfeita ao comércio da moda.
Você já trabalhou com venda de cigarros e hoje trabalha com a venda de vestuário. Qual a diferença entre esses tipos de consumos?
A venda de roupas tem um público mais abrangente e é de aceitação universal. Não existe restrição de compras é algo que todos precisam consumir, alguns e maiores e outros em menores quantidades. Já no caso do cigarro, ela normalmente é maior em homens e de faixa etária acima dos trinta e cinco anos. É um consumo vicioso, coisa que raramente acontece com vestuários. Comprar cigarros acabou virando algo “obrigatório” para aqueles que são viciados, por isso, não são necessárias promoções e ações de venda: o próprio produto se vende sozinho.
Na sua opinião, por que as pessoas têm tanta necessidade de compra?
As pessoas buscam muito na aparência e no consumo um alívio de emoções. Por exemplo, quando a pessoa está triste ou chateada, de alguma forma, quando ela faz uma compra muito desejada, o foco daquele sentimento vai ser alterado para algo mais positivo, ela se sente mais feliz. Comprar virou sinônimo de felicidade e não necessariamente de necessidade.
Qual a diferença entre o consumo do homem e da mulher no mercado da moda?
A mulher é muito mais consumista, busca novidades diariamente, e procura conhecer as tendências. O homem consome mais por necessidade e é mais objetivo na compra, normalmente entra na loja já sabendo o que quer, o dinheiro que tem disponível e é mais resistente a promoções – ao mesmo tempo são um alvo mais fácil para satisfazer e, por não consumir tanto quanto as mulheres acabam se endividando menos e fazendo pagamentos à vista.
De que forma as pessoas são atraídas a consumir?
Normalmente é um critério sazonal. Existem épocas que as pessoas consomem mais, como Natal e Dia das Mães. Além disso, o público é atraído principalmente por promoções ou liquidações. Diminuir o preço é o principal alvo para atrair clientes. Principalmente no caso das mulheres, acabam levando um produto não por terem gostado, mas porque o preço era tão bom que seria impossível não levá-lo.
Existe alguma repressão ou algum tipo de culpa por parte dos vendedores indiretos de cigarro?
Não. Quem trabalha com cigarros direta ou indiretamente não se sente culpado, sendo fumante ou não. Todos vêem isto como sendo um trabalho comum. As pessoas visam o lucro e as condições do emprego, antes de tudo.