domingo, 30 de setembro de 2007

Internet: percussora do imediatismo.

Na década de 60 McLuhan bem que previu: o consumo será todo feito através do telefone. Ninguém vai precisar sair de casa para ter o que precisa em pouco tempo. Por exemplo, se você precisar de um livro para fazer um trabalho, é só falar o assunto que o “telefone” pesquisa para você. Mas o estudioso dos meios de comunicação estava errado. O que se veria era algo além do que ele mesmo poderia esperar. Nada de errado, no entanto. Truling também achava que no futuro apenas quatro computadores controlariam o mundo, e hoje cada um tem o seu, em sua casa. Pois foram os próprios computadores que contornaram a teoria de McLuhan. O que acreditava ser feito por telefone, seria feito por Internet e com extras. Imagens de diversos ângulos, características, as melhores formas de pagamento, entrega rapidíssima, preços até razoáveis e promoções avassaladoras. O que McLuhan acreditava ser a própria praticidade se tornou mais que isso.

O consumismo, de certa forma, também se deve a toda essa praticidade. Hoje em dia, a sociedade procura o imediatismo - Quer levar na hora e pagar só em dezembro. Bendita internet percussora do imediatismo e que mima os clientes e os torna “mais clientes” que nunca. E essa é a intenção, pois hoje ninguém gosta de esperar. Se McLuhan estivesse vivo, teria como desafio criar uma maneira de reduzir as filas. Ou melhor – acabar com elas – de imediato.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Futuro: consumo de idéias e imagens.


Acabei de ler um artigo sobre Criança & Consumo, baseado em um fórum sobre o mesmo assunto. Na minha opinião, expondo pontos de vista até muito radicais. Uma das situações citadas era a venda de cards do desenho animado Yu-Gi-Oh!, que, segundo informações anônimas, portaria imagens satânicas. Além disso, critica os brindes distribuídos em redes de Fast Food, promovendo a venda de lanches nem um pouco saudáveis.
O autor, Flávio Paiva, julga as crianças como seres de fácil manipulação, e as quais estarão com os ouvidos e olhos disponíveis para absorver qualquer tipo de informação. Critica a superexposição infantil à propaganda, assim como o vazio existencial que esse fato pode trazer como conseqüência.
Países como a Itália, Dinamarca, Noruega e Suécia não veiculam comerciais de qualquer produto ou serviço em horários destinados ao público infantil. Flávio afirma que há veiculação de cenas de sexo e violência em salas de cinema cujo filme é para crianças, havendo inversão com os valores adultos.
Considera-se o merchandising o ato mais grave dirigido ao público infantil e acredita que a “função” da criança em melhorar o futuro está sendo desviada.
Agora falemos, de certa forma estas crianças não estão sendo vistas como os próprios bens de consumo? Vende-se uma imagem de que a criança é o futuro do país e que tem de ser protegida em todos os momentos e quem compra essa imagem somos nós. A criança já tem uma responsabilidade de mudar o mundo sem mesmo conhecê-lo.
O mundo infantil é visto como algo encantador e imaturo – E, na minha opinião, realmente é. Porém, não se pode culpar a mídia como fator de inversão de expectativas. Seria como culpar os pobres pela violência. E se o futuro não for bom? Será culpa delas?
Hoje, o consumo de idéias e imagens de uma sociedade está caindo no paradoxo.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O consumo na infância

Criança até quando não chora consegue. Não é à toa que hoje elas são praticamente consumidores diretos. Não são os definitivos, os que efetuam pagamento, mas até os menos mimados, quando querem, conseguem o produto mais atraente.
Aconteceu hoje quando eu estava esperando o ônibus em frente a uma sapataria. Um menino de mais ou menos quatro anos de mãos dadas com a mãe parou na frente da vitrine e pediu: “Mãe, compra esse tênis que vem com o carro?”
O brinde era o carrinho de brinquedo que custava, no máximo, R$3 na Uruguaiana. Só que o tal carrinho fazia tanto sucesso que parecia ter passado o cargo de brinde para o próprio par de tênis.
As crianças são as mais influenciadas pela mídia. A falta de experiência e vivência as condiciona à crença de que tudo que é visto e dito é real. Não há senso crítico, mas há exigências. Por exemplo, quando a os pais vão ao supermercado e compram biscoito para o filho, ele pode muito bem fazer sua escolha: o com a cara sorridente ou o com desenho de bichinhos.
A mídia é cruel. E quando se trata de crianças, não há a menor infantilidade para convencê-los e influenciá-los na compra. Ainda bem que elas não têm seu próprio dinheiro. Porém, um dia crianças crescem.

domingo, 23 de setembro de 2007

Afinal, o quê é?

A sociedade de consumo é a que pratica o consumismo, óbvio. Mas se fosse apenas isso, ela seria uma sociedade consumidora, e não consumista. Consumidor todo mundo é, todos somos seres humanos, logo, todos vivemos em sociedade e logo, somos consumidores. Consumismo não apenas o material, o não tão necessário, quanto o supérfluo (que se faz necessário). Consome-se comida, informação, arte, cultura, roupas, mídia, esporte, saúde, música, drogas e outros. A questão que pode-se discutir é não só a quantidade de consumo, mas também a qualidade.
Nem tudo que se consome faz bem de alguma forma, psicológica ou fisicamente falando. O prazer de consumir na maioria das vezes é momentâneo e nem sempre necessário. O consumo vicia. Por isso, as pessoas deixam de ser “os consumidores” e passam a ser “os consumistas”. Na sociedade contemporânea, o consumo exagerado é algo comum, até o que não é tão importante acaba ficando importante, ou até fundamental. O consumo de transporte, por exemplo. É possível ser viciado em consumir transporte? Não. O que há é a necessidade. As pessoas, a pesar da praticidade em se resolver tudo na própria casa, elas precisam trabalhar, estudar e se divertir. Não há como deixar esse tipo de consumo que abriga consumidores e não consumistas.
O consumo exagerado é basicamente, desenvolvido na compra de supérfluo. O mais visto é o consumo exagerado de roupas, que deixam de ser objeto de vestuário e passam a ser categorias de escolhas, de aceitação na sociedade, motivo de julgamento e satisfação pessoa.
O ato do consumo veio a se consolidar no século XVIII. Um processo, que além de cultural é histórico, e veio junto com as características do capitalismo, globalização, desenvolvimento tecnológico e da política neoliberal. Irônico não é a interligação entre esses fatores, e sim, o ato de não assumi-los.

sábado, 22 de setembro de 2007

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Celular: novos hábitos.

A mudança cultural, não só no Brasil, é um processo de adaptação a tudo que não é comum àquela determinada sociedade, e muitas vezes isso se dá pela invenção e desenvolvimento do próprio homem. Por exemplo, há pouco mais de dez anos, o Brasil se mostrava quase que inteiramente resistente à tecnologia do telefone móvel. Os aparelho, além de caros, apresentavam serviços que não faziam parte da cultura nacional. Apesar da teoria ser muito atraente, a prática ainda gerava certa desconfiança.
Com o passar do tempo, a tecnologia foi sendo “banalizada”, como tudo que se torna comum e insistente demais. Fator este, que ocorreu também pelo grande avanço da informática em pouco tempo. Assim, os telefones celulares se multiplicaram, e igualmente, as operadoras.
Seguindo a lei da oferta e da procura, o produto ganhou mais variações de modelos e serviços. As vantagens oferecidas cresceram imensamente e, hoje, até uma pessoa com renda zero, pode adquirir um aparelho. Aumentou a procura e o preço caiu para o valor de um doce. Inclusive, o preço é tão baixo que nem ladrões se mostram mais tão interessados em roubá-los. Seria como roubar doce de criança.
Em relação ao furto ou roubo dos celulares, uma grande verdade é que os próprios atuantes das ilegalidades estão abdicando do “direito” de levar o aparelho, independente de marca ou modelo. Conheço gente que já teve o aparelho devolvido pelo assaltante porque o objeto não comportava características lá muito modernas – Ou seja, design feio, modelo grande, display sem cores, sem câmera e o único jogo era o da cobrinha. Até a cultura da ilegalidade é influenciada. E também, por que não seria?
Antigamente todo mundo se virava muito bem sem celulares. Hoje, nos perguntamos como vivíamos sem ele. Os orelhões só têm servido para propagar logomarca de operadora. Já os celulares, propagam não ao logo, mas a marca; informações sobre horóscopo, resultados de jogos de futebol e promoções ignoradas antes mesmo de serem lidas.
O fato de que a tecnologia, como o exemplo aqui citado, influi na cultura da sociedade aqui citada, é praticamente inegável. Isso gera novos costumes, práticas, desejos, preferências, novos hábitos de consumo e dependência – Mas isto, só até um novo produto revolucionar o mercado.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

É tudo igual

O consumo é todo igual. As pessoas compram as mesmas bolsas, vão para os mesmos lugares, assistem aos mesmos filmes, gostam das mesmas comidas, usam o mesmo calçado e mesmo assim, não se consideram os mesmos.
Mundo globalizado é sinônimo de mundo homogêneo. Analise de uma forma mais generalizada. Quem se diferencia, acaba sofrendo preconceito ou é visto com outros olhos. Por que ter cabelo loiro, e não azul? Por que comprar o tênis x, e não o y? Por que aprender inglês, e não esperanto? Por que fazer medicina, e não artes cênicas? Por que gostar de mulher e não de homem? A resposta também é homogênea: ninguém gosta de ser diferente, todos querem ser aceitos. Na sociedade de consumo o livre arbítrio vem entre aspas e a opção entre parênteses. Não há escolha própria, exatamente – O que há é influência de uma sociedade mais forte economicamente. Viva o paradigma!
Consumo é tudo igual, só muda o endereço.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Pirataria


“Os brasileiros querem consumir cinema” disse um apresentador da Rede Globo a um programa da mesma emissora. Foi ontem, no lançamento do filme Tropa de Elite. Está na moda falar no filme (não no livro, Elite da Tropa), então, para dar audiência, é bom falar por aqui também.

Tropa de Elite, previsto para estrear em 2007, contará a história de dois amigos de infância, Veja e Batista. Um que pertence à classe média e outro da classe baixa, filho de doméstica. Ambos realizam o sonho de infância de se tornarem policiais militares, dividindo o tempo entre as operações nos morros cariocas e as aulas numa faculdade particular. Decepcionados com a instituição, entram para o BOPE. Um deles morre em uma operação contra traficantes e o sobrevivente conta a história.Fato inédito no cinema brasileiro, o filme "Tropa de Elite", de José Padilha ("Ônibus 174"), receberá um investimento de Hollywood de US$ 1,7 milhão (cerca de R$ 3,9 milhões) mesmo ainda estando no roteiro. A produtora Weinstein Co. é a responsável pelo investimento.Padilha (que também divide produção e roteiro) contará no filme a história de um policial militar carioca diante dos confrontos com traficantes e a corrupção. O roteiro foi concluído antes do livro "Elite da Tropa", recém-lançado.

E depois de falar o que quase todo mundo já sabe, fala-se o que todos realmente já sabe. Antes de estrear no cinema, o filme estreou em todas as barraquinhas da Uruguaiana, em todos os ganchos piratas e em todas as lonas estendidas no meio da calçada. Preço? Pelo menos umas cinco vezes menos do que as Lojas de conveniência oferecem, e oito vezes menos do que livrarias mais conceituadas.
Essa semana, pirataria foi até assunto para discussão em sala de aula por intermédio de palavras mal expressadas. Um aluno disse:
-Por que eu vou pagar para ir ao cinema se posso comprar o DVD por metade do preço do ingresso ou, até mesmo, assistir no telão da praia? Alguém aqui, depois de assistir o DVD pirata, vai pagar para ver o filme no cinema?
Umas quinze pessoas levantaram a mão em uma roda de quarenta alunos, mais ou menos.
Eu confesso, cinema não me atrai muito, mas mesmo assim, acho que a tela grande ainda encanta mais. E aí, é só questão de encantamento e entretenimento, porque pensar no bolso dos atores, diretores, produtores e outros “ores”, ninguém pensa. Aliás, é tanto imposto que se paga que ninguém pensa em um bolso a não ser o próprio. Brasileiro se acostumou a ser egoísta.
Para consumir o produto original ou pirata depende do grau de satisfação que a pessoa tem. Por exemplo, há cerca de dois anos eu comprava CD original sempre, incondicionalmente. Adoro música, comprava sempre que podia e consumia sempre que queria. Tinha um cara na Uruguaiana que vendia CD original pela terça parte do preço. Não tem jeito, não vou pagar imposto para a Saraiva, e Oasis e Incubus, já têm dinheiro suficiente. Não adianta, por mais que goste das bandas não vou pensar no quanto eles ou suas gravadoras estão deixando de lucrar.
Bom, então veio a maravilha do Mp3. Resisti à tecnologia, só baixava músicas que gostaria de conhecer, e aí, se muito me agradasse, comprava o CD. Eu queria consumir música, mas me recusava a pagar R$40 no original ou R$5 no pirata. Hoje em dia, todos os meus CDs são "pirateados" por mim mesma: sem aquelas capas mal copiadas e com o custo de mais ou menos R$0,50.
Confesso que ainda sinto falta daqueles encartes – Mas o cara da Uruguaiana sumiu, acho que não resistiu ao Mp3.
Quanto ao filme... Pelo menos ficou famoso antes mesmo de estrear.

domingo, 16 de setembro de 2007

Única Alternativa

O Doutor me disse:
-Consumo é a única alternativa.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Vendem-se Sentimentos

Estou lendo um dos livros da Martha Medeiros, chama-se Coisas da Vida. Na página 160 começa a crônica Orgasmotron. Orgasmotron é um dispositivo que foi lançado nos Estados Unidas há poucos anos (o livro é de 2003). O objetivo é fazer as mulheres sentirem orgasmos espontâneos durante um dia.
Mas então quer dizer que estão comprando orgasmo? É mais ou menos isso. Para as mulheres mais atarefadas ou mais frígidas o tal dispositivo pode ser uma solução. Para as mais realistas, uma verdadeira loucura - no bom sentido, claro.
Na verdade, o dispositivo foi criado para uma sociedade moderna até demais, e incrivelmente imediatista e instantânea. “Poupando” até as pré-eliminares. Economia de tempo? Será que já estamos nesse nível? Agora imagine como seria você no ônibus, por exemplo, e uma mulher ao seu lado tendo orgasmos. Logo em um ônibus, logo ao seu lado, logo quando você só queria voltar logo para casa.
Pensando no lado mais materialista e menos emocional, isso é venda de sentimento! Vamos encarar os fatos. Não é amor, amizade, mas de certa forma é um sentimento de satisfação, o tal do princípio de prazer. Se existe um saldo negativo na vida sexual da pessoa agora pode ser resolvido. Uma espécie de soma do Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. Porém, ao invés de programada, a ação pode ocorrer justamente quando menos se espera – e logo um orgasmo.
Estão vendendo o orgasmo como droga, como a Droga do Amor de Pedro Bandeira. Não que o amor seja uma droga. Droga é quando o que era um prazer a priori passa a ser motivo de liquidação.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

O meu maior consumo

Incrível a necessidade de comprar das pessoas. Pode até não consumir efetivamente o produto, mas o bom mesmo é comprar. Parece que é liberada endorfina na hora de passar um cartão, tirar o dinheiro da carteira ou assinar um cheque, independente do saldo na conta corrente.
Já ouvi várias declarações daqueles consumidores impulsivos, mas não compulsivos. Os que julgam um livro pela capa, que compram uma roupa de tamanho menor tendo a certeza que daqui a um mês estarão três quilos mais magros, ou aquele CD que se pega facilmente na Internet, mas que vem em uma embalagem diferente.
Eu mesma assumo, não resisto a um bom livro. Na verdade, pode até não ser bom, mas o que vale é ler antes de dar o diagnóstico. Sebo então, é minha perdição. Aliás, perto da minha casa tem uma livraria incrível, mas não entro lá com menos de quinze reais. É mais ou menos assim: não conheço o autor, mas já me indicaram... Dou uma olhada rápida, leio um parágrafo do prefácio e se me agradar eu me seguro para não levar. E quanto a isso, não sou daquelas que compra e não consome, prefiro digeri-los.
Não adianta devorar os livros, é preciso digeri-los.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Hábitos de compra do consumidor brasileiro

80% Mulheres
70% de 30 a 49 anos
37% Classe B
42% Trabalham fora e 20% donas-de-casa
40% faz compras mensais e 40% semanais
Classes C,D e E fazem mais compras semanais
56% preferem a parte da tarde e maior freqüência nos fins de semana
60% acompanhados (filhos / conjugue)
44% percorrem todos os corredores e 30% a maior parte
47% fazem lista de compras
90% consultam /lêem encartes de ofertas e promoções
41% dos que lêem dizem que compram produtos dos encartes
52% dizem que escolhem na loja
85% Fiéis às lojas (proximidade de casa)
Fonte: Apostila do curso de Planos de Marketing e Comunicação da Facha.

domingo, 9 de setembro de 2007

O consumo musicado

Assim como a política e outros problemas sociais do Brasil, o consumo, a busca pela preferência e opinião do público virou tem para música. A letra abaixo é da banda O Teatro Mágico. Os integrantes recusam qualquer oferta de gravadora, e reforça seu caráter independente para não se submeter aos recursos de manipulação do mercado fonográfico. Defendem a idéia de que arte não se vende, se o fizesse não seria arte.

A letra se refere às celebridades que vendem a imagem e abrem mão de sua própria opinião para defender um produto que não cabe em seu próprio conceito - Ou seja, a transferência da imagem do artista para um produto, na tentativa de levar o público ao seu consumo.

Comercial
O Teatro Mágico

Pode vir de dois de três de quatro!
eu não to aqui pagando o pato!
sem salto... sensato,
num ato falho, cê resolveu sair do armário e trocar o
figurino o cara que era do contrário agora é só no
sapatinho!
e me aparece na televisão!
segurando uma latinha na mão
me dizendo que o milagre da transformação
é primavera virar verão!
nã nã não! pra mim não
nã nã não! pra mim não
ou é o trono!
ou é o inferno!
ou é o trono!
ou é o inferno!
então:
Qual é? a atitude que cê toma?
Qual é? porque a cerveja eu já sei!
o meu skate não cabe num anúncio de refrigerante
a paz que eu busco não cabe num refrigerante
a minha alma não cabe num anúncio de refrigerante
o meu anúncio não cabe na embalagem de refrigerante
porque!!
todo mundo amarela uma hora
todo mundo uma hora amarela
todo mundo amarela uma hora
todo mundo uma hora amarela



Letra de Fernando Anitelli

Site da banda

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Tudo que o dinheiro pode comprar

Um século vinte um que às vezes parece ter iniciado por uma globalização intensa. Na verdade, o que se vê de forma muito mais significante hoje, já significava há tempos.
A quebra da homogeneidade de uma cultura nacional quase intocável, para os menos atentos. A subordinação e a paixão à primeira vista pelo tecnológico, pelo prático, diferente e pelo supérfluo que se fez necessário. O consumo dos extremos, o consumo de informação, da cultura, do simples e do complexo.
A sociedade do consumo tem a cara de uma época, que de natural não tem nada. Tudo tem seu preço, tem valores – E que, por sinal, são muito bem facilitados antes de levarem a dificuldade à tona.
No Brasil se compra tudo, se consome de tudo. O consumo de sexo, a compra do mês, o dinheiro da passagem, a compra de votos, suborno, uma aposta, comprar água, energia, um corpo igual ao da Daniella Cicarelli, os direitos autorais, comprar informação, manipulação. Comprar até dinheiro - E o que o dinheiro puder comprar.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

O consumo como deonça

Quando se fala em doenças na sociedade contemporânea, também tem lugar para a “doença do consumo”. Fato esse, causado pelo consumo descontrolado de homens e mulheres. Uma motivação que nem sempre vem através de promoções e que ultrapassa qualquer limite de necessidade da compra.
Como já foi visto, a compra é para a sociedade, uma justificativa de libertação e força. O que deveria ser um ato exclusivamente de lazer e prazer, passa a ser um sentimento compulsivo, que comparado às drogas e bebidas, se priva da abstinência, tendo o próprio vício ainda mais alimentado.
O crescimento dos shoppings centers no Brasil, por exemplo, é algo nitidamente absorvido da cultura norte-americana. E que, trouxe uma possibilidade de “novo mundo” ao país. Um ambiente moderno, limpo e seguro onde se pode ter tudo o que deseja: dessa forma ele é visto pelos inconscientes dos atos de compra e consumo compulsivo.
A doença em questão tem um nome tão complicado quanto seu tratamento: oneomania. De 2% a 8% das pessoas sofrem por estes gastos compulsivos e a cada cinco, quatro são mulheres. A pesar de, nos dias de hoje, o nível de consumo entre os dois sexos estar bem equilibrado, as mulheres ainda são as maiores atingidas pela oneomania. A explicação seria a influência da mídia no mercado feminino e o estabelecimento de um padrão de beleza que só se faz alcançável mediante a um grande esforço e uma poderosa conta bancária – Mas isso pode ser analisado depois.
Segundo as fontes visitadas, o ato de comprar dá prazer e, por isso, pode viciar. Isso se iguala às doenças mais pesadas e cujo tratamento é feito, inclusive, por clínicas e profissionais especializados no assunto. Com a oneomania, a pessoa sente vontade de comprar, e não necessariamente de possuir aquele produto ou serviço. Muitas vezes, a “ressaca” ou o arrependimento de compra vem logo após a saída da loja. Porém, a chance de deixar um estabelecimento sem comprar uma única coisa, é improvável.
O tratamento existe. Psicólogos, psiquiatras, medicamentos e esforço próprio são a solução. No entanto, quando se diz que o tratamento é complicado, é justamente porque existem forças muito poderosas em torno, influenciando exatamente o lado oposto. A mídia, o mercado, a economia, o capitalismo, a globalização, o neoliberalismo, entre outros, que, inclusive, estão interligados, abrangem uma parte da sociedade que é maior e tem que se mostrar, até individualmente, superior para se contornar essa situação patológica, e superiormente, psicológica.

sábado, 1 de setembro de 2007