quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Vendem-se Sentimentos

Estou lendo um dos livros da Martha Medeiros, chama-se Coisas da Vida. Na página 160 começa a crônica Orgasmotron. Orgasmotron é um dispositivo que foi lançado nos Estados Unidas há poucos anos (o livro é de 2003). O objetivo é fazer as mulheres sentirem orgasmos espontâneos durante um dia.
Mas então quer dizer que estão comprando orgasmo? É mais ou menos isso. Para as mulheres mais atarefadas ou mais frígidas o tal dispositivo pode ser uma solução. Para as mais realistas, uma verdadeira loucura - no bom sentido, claro.
Na verdade, o dispositivo foi criado para uma sociedade moderna até demais, e incrivelmente imediatista e instantânea. “Poupando” até as pré-eliminares. Economia de tempo? Será que já estamos nesse nível? Agora imagine como seria você no ônibus, por exemplo, e uma mulher ao seu lado tendo orgasmos. Logo em um ônibus, logo ao seu lado, logo quando você só queria voltar logo para casa.
Pensando no lado mais materialista e menos emocional, isso é venda de sentimento! Vamos encarar os fatos. Não é amor, amizade, mas de certa forma é um sentimento de satisfação, o tal do princípio de prazer. Se existe um saldo negativo na vida sexual da pessoa agora pode ser resolvido. Uma espécie de soma do Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. Porém, ao invés de programada, a ação pode ocorrer justamente quando menos se espera – e logo um orgasmo.
Estão vendendo o orgasmo como droga, como a Droga do Amor de Pedro Bandeira. Não que o amor seja uma droga. Droga é quando o que era um prazer a priori passa a ser motivo de liquidação.

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