segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Tédio

Há uma outra explicação para a sociedade de consumo. Além do que todos já sabem: o consumo gera prazer como se liberasse endorfina; pode-se dizer que é um motivo para fugir do ócio exagerado, e, conseqüentemente do tédio.
O entendimento não é muito complicado. Basta dar uma olhada no texto sobre o consumo imediato que terá uma base de como é a sociedade contemporânea. Para quem quer tudo na hora, esperar é entediante. E para acabar com o mal, por que não umas compras? Não quero dizer que todos gastem centenas após esperar um tempão em fila de banco – até porque, se fosse assim estaríamos mais falidos que sempre e abririam shoppings centers dentro de bancos.
O consumo, não só de roupas e acessórios, de música, esporte, alimentação e informação está em toda sociedade urbana. Os moradores da zona rural fizeram as pazes com o tédio por nem saberem o quê ele é. Culpa da tecnologia. Hoje, motivo para tédio é ficar sem tv a cabo e sem Internet – justamente os dois meios que nos afazem consumir as mais variadas formas de coisas. Tudo o que já foi citado e um pouco mais.
Quem é que nunca devorou uma barra de chocolate só porque não tinha nada para fazer? Ou não aceitou o convite para um filme medíocre porque estava entediado? Ou ainda: “vou ali comprar uma bala enquanto espero”. É claro que você não vai morrer se não comer o chocolate, ver aquele filme e muito menos se deixar a bala de lado. Mas o “não ter nada para fazer” é que nos consome.
Funciona mais ou menos assim: trabalhamos a semana inteira, de segunda à sexta, sempre atrasados e atolados de afazeres, torcendo para chegar o fim de semana... E quando ele chega, ao invés de ficamos lá, quietinho, curtindo o ócio, resolvemos nos ocupar. O consumo nos mantém ocupados. E é aí que surge a idéia de uma viagem repentina para consumir cansaço e gasolina; uma night para consumir bebida e glicose; ou até aquele jogo de futebol, para consumir seus gritos e depois até calá-los.
Vamos consumir de tudo, para que o tédio não nos consuma. É isso.

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